Monthly Archives: April 2011

O ensaio

Não estava ali.
O mar não se ouvia.
O dia era um daqueles em que a chuva e as nuvens abafam qualquer som, apenas o piar das gaivotas à cata de caraguejo na maré quase vazia.
Mais nada. Nem os cães nem as crianças, nem a música que sabia sair de um carro parado a pouca distância.
A paisagem parecia dentro de um capacete naquele Atlântico ao contrário, do outro lado daquele onde me habituei a ir buscar o cheiro e assistir ao fim dourado dos dias de verão e início de outono, o mar da minha praia virada a oeste.
Aqui, eu, como a gaivota a ensaiar o voo de aproximação.
Pensei em Joseph Conrad, o lobo do mar que não perde o Norte no mar.
Eu estava a Leste.
Virada para a praia que não via, inspirando o ar a querer resíduos de iodo longínquo. Achei. Vestígios de um cheiro familiar que me devolveu a tranquilidade só possível em casa. Parece que estava a começar a ganhar outra, um lugar também meu. Por amor, por adopção, porque sim, porque me adapto e sou ali aquele bocadinho feliz que os inconformados às vezes conseguem ser. “Lucky me”, pensei e olhei para os céus, cinza escuros, a fazer figas não vá algum mau olhado tirar aquele pedacinho de alegria, passar-lhe uma rasteira e atirá-lo à areia.
“Não sabes ser feliz”, dizem alguns que me conhecem ou pensam conhecer. E não é que às vezes dou por mim: “Será?”
E lá está a gaivota a ensaiar o voo como eu a ensaiar a vida. Nova. Por aqui. Por amor, por um sonho, pela realidade.
O mar tem disto, mesmo que ao contrário: os pensamentos andam vagos, parecem contagiados pelo ritmo das ondas, as tais vagas que ali não têm tamanho. Curtas, rasteiras.
Não o mar imenso e a espuma. Boris Vian andou por outro mar. A espuma dos dias não vem daquelas vagas.
E lá estou eu na espuma de outros dias. Outros meus dias por outros mares, enquanto ali não há espuma. Pouca espuma para poucos dias.
Nem som. Só um leve rufar que embala. Embala mesmo. Era só deixar ir… Mas falta essa disponibilidade. Mental. Física. Algo sempre a resistir.
Pena não ser como a gaivota que não se assusta com o meu aproximar tão seduzida que anda com aquela água que lhe dá tudo. Ela embala-se. Não resiste. Vai.
E eu presa a ela, a querer não resistir. Como é? E ela olha e eu disparo o flash e ela não desvia o olhar.
Penso não existir. Eu. Não há som, não há sinais da minha presença, nem sombra de mim na areia tão apagado está o sol, filtrado.
Quase não há som, quase não há cheiro, nem sombra.
Duvido de mim e olho e vejo um vulto ao longe que me devolve a identidade.
Ufa! E de novo o mar.
A gaivota avança para ele. Abre as asas. ganha altitude e mergulha, certeira.
Eu disparo.
Apanhei-a numa objectiva que tenho a ilusão de a tornar eterna.

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“Estrelas de giz”


Animal Kingdom “Chalk Stars” Video Oficial

Vá, escolhe…

Vá, escolhe. Milhares de lombadas perfilam-se de todas as cores numa ordem que acabou por se desordenar. Escondem gente. Nomes, terras, ambientes, lágrimas e gargalhadas. Há sublinhados, folhas dobradas e pó que se acumula e não se vê em papel mais amarelecido. Mais branco, com mais ou menos tempo, mais ou menos luz. Há grãos de areia de uma praia que vive na memória. Há uma mancha de café, um cheiro, uma factura esquecida que já não entra noutra contabilidade que não a da história de um dia onde houveram outras facturas.

Vá, escolhe. Escolhe entre essas milhares de lombadas a que faz a diferença. A que fez a diferença. Tantos livros e nada para ler. Como quando se abre um roupeiro. Tanta roupa e nada que vestir. Há que ir às compras. Encher mais prateleiras, comparar uma estante nova para os livros que andam pelo chão e invadem o espaço como insectos com cio. Crescem e multiplicam-se como se tivessem vida própria. E não têm.

Vai, escolhe. Entre os lidos e os não lidos, os que se sabem que nunca se irão ler e aqueles que estão prometidos para um dia, umas férias onde haverá tempo, um tempo em que não irá haver interrupções. O telefone não toca, a criança não chora, nem haverá a culpa do que não se faz por estar a ler. A visita que ficou por fazer aos pais, a tarde na praia, o filme que vai sair de cartaz. Esses são os livros que um dia… Um dia, certamente. E depois os outros, os que se pegam displicentemente, como quem não quer e que se colam às mãos, aos olhos. Uma frase, uma vida que se pega e não os deixa voltar tão depressa à prateleira.

Vá, escolhe entre esses milhares os que levas e os que deixas para um dia, quando tiveres tempo. Os que ainda não foram parar ao quarto entre os vários a mendigar uma abébia de sono e entre os que o roubam descaradamente, sem complacência pelo que vem a seguir. No silêncio há menos culpa pelo que se lê.

Vá, escolhe. Lembras a frase que copiaste para o caderno como quem a quer eternizar fora do contexto em que alguém a colocou como se valesse só por si? Solitária e completa. Uma frase. Um ambiente que aparece em flashes numa memoria que não obedece a calendários  nem conhece cronologia. Vem ao acaso.

Vá, escolhe. São milhares e o ‘P’ já não vem antes do ‘Q’, que é como quem diz que também não há alfabeto que resista à cadência das entradas nem à arrumação da mulher a dias que numa mudança de casa decidiu arrumá-los por cores. Um arco-íris de lombadas e a memoria a ditar que o rosa velho está perto do castanho claro, ente alguns salmões.

Vá, escolhe. Os clássicos, os contemporâneos, os que arriscam e não têm género, os de policias e ladrões, os de fazer chorar as pedras da calçada e aqueles que fizeram cair uma lágrima que demorou nos a desfazer-se, que ainda não se desfez sempre que a lombada se impõe.

Vá, escolhe. O espaço não se compadece e as malas têm limite de peso. E então “O Amor nos Tempos de Cólera” não pode ficar para trás e “Em Busca do Tempo Perdido” não é coisa que se deixe.  Ah! “Crime e Castigo” para quem se esquecer de “O Som e a Fúria”. Vá, escolhe. O novo romancista que está a dar cartas e ameaça fazer escola. E o calhamaço que saiu no Verão e tem de ser lido antes que acabem as conversas onde ele pode entrar.

Vá, escolhe. Não há muito tempo e as malas estão quase cheias e o peso custa dinheiro. Não vale olhar para trás. Como estes muitos vão chegar. Mas que raio, é preciso não esquecer aquele que vai fazer falta quando tudo desabar. E esse qual é?

Vá, escolhe. Nada de dramas. Afinal hás-de voltar. Qualquer bilhete pode ter regresso e aquelas lombadas não passam de guardiãs de palavras que alguém ordenou numa certa ordem. Também tu podes dar ordem às tuas e não tem necessariamente de ser em papel. És ou não do teu tempo?

Vá, escolhe. Entre o que vai e o que fica já sabes que sais derrotada. Leva um, só um. Fecha os olhos. Tira ao calhas. Já sabes que dói por isso para quê o drama? Um, só um. Nada de batota. Roda o corpo, despista as coordenadas. Nada de jogo viciado. Vais embora e só tens direito a uma lombada. Os braços baixam-se. Os olhos abrem-se. Olham o conjunto, têm pena de o desfazer.

Vá, escolhe. Os ponteiros do relógio não sabem o que é isso da hesitação. Vá, vá, vá,… a cadência aumenta e quer-se um livro que comporte em si a falta dos outros. O tempo está a acabar. Agora ou nunca.

Vá, vá… tudo teria sido tão mais fácil se a mulher a dias não tivesse escolhido aquela arrumação em arco íris. Como desfazê-lo? E lá vêm as palavras da tua avô: “Pede um desejo sempre que vires o princípio e o fim desse arco de cores”. Ela que não sabia ler as palavras mas que as ordenava sem livro.

Vá, escolhe… Pois que fique o arco-íris. Nem que seja reflectido na lágrima de quem deixa para trás a paleta de cores que há-de ficar ali, com o seu princípio e fim, pronta a satisfazer desejos. Basta que no regresso se sopre o pó.

(crónica publicada no Diário Económico)

Voo

Todos olhavam, mesmo os que fingiam não olhar. Ou sobretudo esses.

No meio de um grupo de excursionistas a Fátima que saudaram a entrada no avião com um “Avé Maria” em bom português da América, destacava-se um rapaz loiro, olhos azuis, porte atlético, barba meio escanhoada e um colarinho que o identificava de imediato como padre católico. Como os outros, os que fingiam, também fingi ver e não me interessar numa normalidade ensaiada. Como todos, ele arrumou a mala no cacifo e retirou um livro. Ele e o livro vieram na minha direcção. Estava ali o meu companheiro de viagem.

Interpretei o facto, meio a brincar meio a sério, como uma bênção à minha partida. Sete horas a cruzar o oceano com alguém que me confessou não se cansar de olhar a terra a partir do céu. Era dele a janela. E dele o entusiasmo.

Vinha de Fátima sem tempo de conhecer Lisboa. Lamentava não ter exploraado a cidade que lhe pareceu bonita. “Gorgeous”, disse, após elogios à refeição servida a bordo e que agradeceu em oração, sem embaraço de ser observado, numa intimidade que senti perturbar. Não notou ou fingiu não notar e nada melhor do que falar de comida para quebrar o gelo e perguntar coisas de um país de que viu pouco

Filho de um electricista que assustou o pai quando lhe anunciou a intenção de ser padre, o mais novo dos filhos, único homem, único capaz de lhe levar o negócio por diante. Fez a universidade, teve tempo de namorar e perguntou a Deus porque o estava a castigar daquela forma quando quando via casais de namorados, crianças com os pais. Mesmo assim diz que compensa. Só ainda não se habituou muito bem ao colarinho. Ainda sente os olhares, o constrangimento da identificação imediata pela diferença. Mas vai contando que não é padre vinte e quatro horas por dia ou sete dias por semana, embora ser padre implique uma condição. É quando tira o colarinho branco e vai fazer jogging, ou conversar com os amigos, ou visitar os pais à quinta onde cresceu, no estado de Nova Iorque, embora sem quase ter pisado Nova Iorque. “Só fui duas vezes à cidade e de passagem”. Curiosidade? Claro. Está em Albany, a cinco horas de carro. Diz que dos outros só o distingue o celibato prometido e os olhares desconfiados quando tenta ajudar sem que alguém lhe peça. Só? Ele sorri, vai arranjar explicações e prefere dizer que põe questões em vez de duvidar, mesmo quando sente a solidão, os momentos de desespero. “São breves”, não se pense que ande a demorar neles. “Deixar de pôr questões é triste”, continua. E ele põe. Perguntam entre olhares à terra por cima das nuvens. Põe os auscultadores, liga iPod e ao aterrar o aperto de mão apertado: “Sou o David”.

(crónica publicada no Diário Económico de 8/4/11)

O rapaz do semáforo

Nunca soube o nome dele.
Estava todas as manhãs sentado num semáforo deLisboa junto a umas bombas de gasolina. Ao lado tinha um saco de plástico com qualquer coisa comprada em última hora na loja de conveniência do lado.
O rosto exibia as marcas de uma destruição rápida, mas nos olhos transparecia um orgulho envergonhado de quem, assim que o vermelho acendia, estendia a mão direita a cada um dos condutores parados naquela demora também ela vermelha. Vestia roupas que, via-se, tinham sido caras, mas estavam tão gastas quanto ele. Era um observador. Pedia com os olhos nos olhos dos que esperava que lhe dessem uma moeda para o ‘vício’, para se manter.
Quando chegou à minha vez, estendeu-me a mão como aos outros mas ao olhar para o banco de trás do carro, viu que havia jornais. Perguntou-me se já os tinha lido. Eram do dia anterior. Dos dias anteriores e estavam ali esquecidos na sua actualidade efémera. Disse-lhe que sim e ele limitou-se a olhar. Dei-lhe os jornais e a partir de então, sempre que parava naquele vermelho diário, lá estava ele: “Dra tem o jornal de ontem?” E eu passara a tê-lo sempre no banco do lado, à mão da mão dele.
A leitura do dia anterior era a sua rotina além daquele sentar e levantar a estender a mão. Dia a dia assisti à sua decadência física.

E um dia ele não estava lá, e o jornal do dia anterior seguiu comigo e eu temi o pior.
Ele, aquele rapaz sem nome, fazia parte da minha vida, das minhas manhãs, e não consegui abrir o sorriso quando noutra manhã, passados muitos dias, ele voltou, mais gordo, mais limpo, cabelo cortado, mas com o mesmo saco ao lado, a estender-me a mão para o jornal do dia anterior. Nunca me pediu mais nada. Só a leitura.
Foi assim durante longos meses, num aparece e desaparece em que ele chegou às muletas, às chagas no rosto, a uma debilidade física que no entanto não lhe tirava a curiosidade de saber como ia o mundo. Nunca lhe perguntei nada sobre a sua vida. A dignidade que apresentava ao pedir impedia-me de o fazer. Ele pedia, mas só dava quem queria e ele não praguejava à maioria que não dava nada. Voltava a sentar-se e abria o jornal que tinha sido meu, à espera que o sinal voltasse ao vermelho. Ele, o rapaz a quem nunca perguntei o nome e que um dia tinha sido muito bonito, talvez de uma família bem de uma cidade que ele rejeitou ou por ela foi rejeitado, deixou de aparecer. E então foi para sempre.

Ainda continuei com o jornal do dia anterior, que passou a um monte de jornais de dias anteriores, no banco do lado. Até que desisti.
Mas aquele semáforo, onde continuo a parar muitas vezes, passou a ser o semáforo do rapaz que pedia jornais e pelo qual aprendi a ter um sentimento que não sei descrever.
Acho que não há palavras para tudo, que faltam inventar algumas. Como aquela que não encontro para descrever o que senti quando, anos depois, num café de Lisboa, alguém me tocou no ombro e disse: “Olá Dra, tenho o jornal de hoje”

Os Bravos

12 de Agosto de 2006.

Dia que não se apaga e que a memória apurou.

Um cais, um barco com dois remos.

Três homens que correm em sintonia empurrando-o para o mar “Tá hão” como diz Lucas, o velho pescador. “Está para meninas”. Lucas. O meu nome. O nome que o meu avó me deixou. Zé como ele.  É cedo. Manhã ainda com o sol por detrás das rochas e eles fazem-se à agua.

É dia de ir longe. Até à rocha onde poucos se atrevem.

São três homens. Chamam-lhes os mais corajosos marisqueiros daquela costa. Ágeis. Secos. É assim que tem de ser. Olham o mar como quem lhe tira as medidas.  Há um barco maior à espera.

A lonjura tem de ser percorrida a motor. Fala-se pouco por ali. É na água que todos procuram indicações porque com mar não se fala com palavras.  São os olhos que guiam o barco até onde deve ir. À mais cobiçada e menos conseguida de todas as rochas daquelas águas que vão da Carrapateira até lá acima, a praias cujos nomes não vêm no mapa do turismo, uma costa que vai ficando com as linhas cada vez menos definidas quanto mais o barco se aproxima da pedra. A pedra da Atalaia. Quem conhece sabe o respeito que o nome impõe. Não é para todos. Sorte a destes audazes que conhecem cada armadilha daquele mar que bate no escuro da pedra cravejada de percebes. É essa a riqueza. É por ela que eles se batem porque o verão não dura sempre e é preciso alimentar o inverno.  Ainda não é real. Só vendo. Vendo como vestem os fatos de mergulho e se transformam lentamente em profissionais de uma profissão que não vem em nenhum guia da segurança social. A burocracia não chega a todos cantos. Garimpeiros do mar seria um nome que não lhes ficaria mal, mas este garimpo é tão arriscado… Saltar do barco para a rocha é um movimento que não permite falhas. Estudado. Um só salto. A hesitação pode custar uma perna ou a vida, que por ali tudo é escorregadio e a única segurança está num sapato roto de mergulho. Roto de tanto se fazer ao risco. Roto de tanto a vida nele se apoior.

Estes três homens são apanhadores de percebes. Os melhores percebes do mundo, garantem. E como não acreditar? Na rocha, vistos do barco, parecem homens rã. Homens com tentáculos, curvados sobre a pedra à cata de cada recanto, de cada cacho de bicho gordo. Uma aventura contra o tempo. Mínimo de tempo para o máximo de marisco que vai directo para dentro de sacos que é proibido perder. É lá que está o ouro pelo qual arriscam a vida nos dias em que o mar deixa. Uma corda, amarrada à cintura e presa num ponto seguro, agarra-os. Há a tareia das ondas, o mergulhar para chegar onde ainda ninguém chegou, num equilibrismo periclitante e sempre o olhar a maré para que não suba demais e atentar no barco que vai anunciando o rumo da corrente. Estão expostos. Totalmente expostos a um mar que sabem de cor, mas que traz sempre surpresas. Não têm medo de dizer medo. Se ali não há medo onde pode então estar esse sentimento que não permite a mínima distracção ou é a morte do artista. Têm duas horas para mostrar o que valem. Duas horas para roubar à rocha sem se deixarem roubar por ela. E tomam conta uns dos outros. Cuidam-se sem mostrarem fragilidades; conversam por gestos sem gestos a mais. São bravos e os bravos não precisam de exibir a bravura. Sozinho, o barco onde chegaram já deu a volta àquele que se poderia chamar um ilhéu. Ilhéu sem pontos planos, sem dó. Ilhéu que gosta de estar sozinho e detesta ser confiscado. Ilhéu de muitas correntes e tantas ondas que ferem quem nelas não souber cair. Fazer-se às ondas num ilhéu que corta. Mãos, pés, fatos. Eles fazem-se, mas sabem esperar.  Aprenderam com o corpo que não vale a pena desafiar uma pedra como a da Atalaia. Estes são homens com nome. Têm história, têm uma vida. Pouco importa. Só importa sobreviver durante duas horas, o tempo da maré baixa. Ali são só três homens e uma rocha num mar imenso, presos ao mundo por uma corda e sapatos rotos. O que é isto? Ver para crer, a máxima que condenou S. Tomé, e saem três sacos cheios de marisco pago a peso de ouro num restaurante de praia. Caro? É uma vida por uma pedaço de sabor a mar.

E há um telemóvel que toca. Anuncia outra vida, vida nova a quem ficou no mar. Olho vivo. Não vá vir o enjoo.  O horizonte é o ponto seguro.  Esquece-se. Que se lixe. Há uma vida e é preciso gritá-la. E do barco, já com os pescadores em posição de descanso, grita-se então: “nasceu o Gabriel”.

Foi longe. Em Lisboa. Mas na Carrapateira os sorrisos abrem-se. Falta mais um salto. O último, que a maré não dá para mais, e já com os três bravos o barco faz-se ao cais ainda a manhã corre fresca.