Procura-se

Procuro a casa.

Queria que estivesse agarrada à terra e que quando acordasse de manhã pudesse por os pés na rua sem sair dela.

De preferência com uma cozinha onde se pudessem juntar todos pela manhã, com o cheiro a café e a torradas.

Tinha de ter um fogão grande e um alpendre para as leituras e ver passar.

Pronto, concedo, uma varanda onde pudesse espreguiçar o sono da manhã e com vista para mais que não o vizinho da frente.

Não faz mal se se ouvir um sino. Pode ser na cidade, mas não faz mal se tiver mar à vista. Ou um bosque. Cheiro a jasmim nas noites de verão era bom.

E sítio para o cão correr e para a gata dormir sestas e um baloiço a dar par um poço rodeado de violetas. Ok, exagero talvez. Mas sabia bem ter uma janela grande para as tardes de chuva e uma lareira para aquecer e porque gosto do cheiro a madeira queimada.

Um sótão era bom. Mania de guardar tudo, que se há-de fazer. Já não peço pé direito alto para as estantes. Seria demasiada exigência e também requeria escadotes. Encolhem-se as estantes, curvam-se as costas se for preciso. É o menos.

O facto é que procuro a casa.

Nela tem de caber quem amo ou então não cabe ninguém. Quem souber desta casa que mande dizer.

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