Daily Archives: September 11, 2011

Pazes


Ontem fiz as pazes com Woody Allen. É uma coisa que me acontece com alguma frequência.  De vez em quando ele dá-me cabo dos nervos, como aconteceu com o filme anterior cujo título não me quero recordar.
Não são arrufos. São zangas mesmo. Mas ontem ele voltou em grande.
“Meia Noite em Paris” é uma surpresa e um encantamento permanente e quando dei por mim estava com aquele sorriso parvo de quem está seduzido e não consegue disfarçar.
Estava lá ele e muitos dos meus heróis que eram os heróis do outro, o protagonista chamado Gil. Hemingway, Gertrud Stein, Scott Fitzgerald, Buñuel e a perda de tempo que é pensar como tudo seria diferente se o nosso tempo fosse outro.

E mais não digo porque continua a soar na minha cabeça a canção de Cole Porter e a passar como slides em sépia imagens de Paris.
Daqui a pouco soam as 12 badaladas e ainda me transformo em… Quem não viu, na próxima quinta feira vai saber do que falo


Eu era para lá estar

 

Hoje eu era para estar lá.
E se olhasse para o céu não seria para ver aviões. Vi-os aqui, onde estou agora, passar rasteiros perto de um polícia que vigiava um edifício supostamente de risco. Ele estava parado, ao vento do fim de tarde e a minha pergunta foi: o que poderia ele perante aquela bizarma voadora? Mas eu não era para ter visto isto.
Era para estar lá. Não pela data, não pela necessidade de recordar, de rever, de ouvir o que já tantas vezes se disse sem que o terror tivesse mudado o seu significado no dicionário: “pavor”; “grande receio”; “pânico”; qualidade de terrível. Depois vou ver “pavor”, umas páginas atrás e o que encontro é: “grande susto”; “medo”; “terror”.
Andamos às voltas com as páginas dez anos depois as palavras continuam a ser as mesmas, com significado circular.
Saímos do terror para lá voltar e para cada palavra uma imagem.

Terá sido isso que mudou? Eu hoje era para estar lá e já disse que não pela data, nem com um dicionário para me ajudar na minha ignorância.