Eu era para lá estar

 

Hoje eu era para estar lá.
E se olhasse para o céu não seria para ver aviões. Vi-os aqui, onde estou agora, passar rasteiros perto de um polícia que vigiava um edifício supostamente de risco. Ele estava parado, ao vento do fim de tarde e a minha pergunta foi: o que poderia ele perante aquela bizarma voadora? Mas eu não era para ter visto isto.
Era para estar lá. Não pela data, não pela necessidade de recordar, de rever, de ouvir o que já tantas vezes se disse sem que o terror tivesse mudado o seu significado no dicionário: “pavor”; “grande receio”; “pânico”; qualidade de terrível. Depois vou ver “pavor”, umas páginas atrás e o que encontro é: “grande susto”; “medo”; “terror”.
Andamos às voltas com as páginas dez anos depois as palavras continuam a ser as mesmas, com significado circular.
Saímos do terror para lá voltar e para cada palavra uma imagem.

Terá sido isso que mudou? Eu hoje era para estar lá e já disse que não pela data, nem com um dicionário para me ajudar na minha ignorância.

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