Consenso francês

O parisiense David Foenkinos viu o seu romance “A Delicadeza” ser nomeado para todos os grandes prémios literários do seu país Renaudot, Femina, Interallié e Goncourt. Está na capa. Já agora aproveito para dizer que não era preciso e embirro que estas parangonas promocionais venham logo ali, na capa. Adiante. Foenkinos conseguiu um feito com o livro. De desconfiar tanto consenso? Lets read it.

Então começa assim:

 “Natalie era sobretudo discreta (uma espécie de feminilidade suíça). Tinha atravessado a adolescência sem incidentes, respeitando as passagens de peões. Aos vinte anos, via o futuro como uma promessa. Gostava de rir, gostava de ler. Duas ocupações raramente simultâneas, porque preferia histórias tristes. Não sendo a via literária suficientemente concreta para o seu gosto, tinha decidido seguir economia. Sob os seus ares de sonhadora, pouco lugar deixava à imprecisão. Passava horas a observar as curvas da evolução do PIB na Estónia, com um sorriso enigmático nos lábios. No momento em que se anunciava a vida adulta, acontecia-lhe por vezes relembrar a infância. Instantes de felicidade colhidos numa mão-cheia de episódios, que eram sempre os mesmos. Ela a correr na praia, a subir para um avião, a dormir nos braços do pai. Mas não sentia a mais pálida nostalgia, nunca. Coisa rara numa Natalie.”

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s