Lost in Japan

Uma palavra e nada. Um gesto e quase tudo.
Era o que eu pensava quando tossindo e fungando apertei o nariz e em vez de uma aspirina tive um pacote de lenços de papel.
O que é isso?
Apenas o princípio da confusão. Assoava-me e todos me olhavam. Ainda não tinha lido o guia de bem me comportar que na alínea “jamais fazer” dizia: “Nunca assoar em público.” Não fui presa ou expulsa de lado nenhum, mas tive a sensação pouco agradável de ser olhada com nojo, muito nojo, por uma multidão de olhos cuja expressão eu não entendera.
Não entendia também o que fazia uma senhora ao meu lado quando eu fazia xixi até perceber que ela fazia o mesmo que eu em casas de banho que só depois percebi comunitárias e onde as pessoas se davam à conversa. Também não entendi porque me caíram as lágrimas quando ouvi um coro de crianças a cantar o jingle bell desafinadas e sem dizer os rrr.
E não soube o que fazer com dois polícias que um quarto de hora depois de terem segurado o meu mapa em jeito de auxílio discutiam um com o ouro apontado em direcções diferentes e deixando-me especada a olhar para eles debaixo de chuva.
Mesmo assim, nunca me perdi no Japão.

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