O verão acaba aqui


Tudo era claro:
céu, lábios, areias.
O mar estava perto,
fremente de espumas.

Corpos ou ondas:
iam, vinham, iam,
dóceis, leves – só
alma e brancura.

Felizes, cantam;
serenos, dormem;
despertos, amam,
exaltam o silêncio.

Tudo era claro,
jovem, alado.
O mar estava perto
puríssimo, doirado.

Eugénio de Andrade, Mar de Setembro (1961)

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