Daqui, de Deauville

Os portões estão para trás, as grandes janelas abertas revelam interiores cheio de sofás, espreguiçadeiras saem para as varandas, carros entram e saem de jardins, ocupam as ruas estreitas. Cavalos e descapotáveis exibem-se em frente ao casino. Aqui, nesta que se diz a praia que inventou os banhos de mar, cidade de quatro mil moradores fixos que aumenta de população sabe-se lá quantas vezes sempre que faz sol ou é fim-de-semana em Paris. Estamos no litoral mais próximo da capital francesa. Com Cabourg, o must da costa da Normândia onde um dia desembarcou uma guerra muito antes de Marcel Proust, frequentador daquelas praias no início do século XX, as transportou para a sua obra maior. É a zona de banhos de Balbec que podemos ler em “La Recherche”, com o mesmo boardwalk onde ele esperou e desesperou pelo seu apaixonado numa história de amor só muito mais tarde contada. Parece que o aor anda sempre por aquelas paragens e torna-se sempre inspirador. veja-se o que aconteceu com Coco Channel que por aqui se apaixonou, desenhou chapéus e abriu a sua segunda loja depois de Paris, uma das primeiras casas de luxo Deauville que agora tem uma marca em cada esquina anunciando o dinheiro que por ali anda. Também Yves Saint-Laurent tinha aqui casa e Ian Fleming, ao inventor do 007, o espião de Sua Majestade, se inspirou no casino local para escrever Casino Royale. Claro que Deauville inspira. Areal imenso, mar com um cheiro que se reconheceria dos filmes se os filmes cheirassem. Talvez cheirem mesmo, ou então qual a razão que faz sentir familiar aquela maresia que não é a das minhas praias? São as primeiras impressões de alguém que chega e estranha a singular cumplicidade entre mar e flores e uma arquitectura que não cede a especulações.Nenhuma casa ali pode ser demolida. se é para construir de novo que seja longe do centro e de acordo com rígidas normas arquitectónicas. Uma cidade de moda e de artes, com dois festivais de cinema, capital de horse ball em França e muitas mais coisas que não sei ainda. Desço a estrada que me leva da colina do Hotel do Golf lamentando não ser tempo de praia, lamentando não ter mais tempo. O taxista olha pelo retrovisor e parece adivinhar o que por aqui vai. “Há-de voltar.”

2 responses to “Daqui, de Deauville

  1. Nuno Seabra Lopes

    Deauville, a praia da escola dos miúdos de Un Homme et une Femme?

    Apetece logo pegar num mustang descapotável e andar pela praia fora🙂

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