Às vezes o sapato é o limite

Viu que tinha chegado a um limite quando pôs os sapatos pretos de salto alto na mala de mão. Parou. Já tinha calcado o conteúdo e puxado o fecho, faltavam vinte minutos para o comboio e havia que atravessar uma cidade. Cabia tudo, como quase sempre. Mas agora baixava os braços. O relógio deixou de ter ponteiros, ou a corda partira-se. O tempo sentou-se com ela no sofá, mãos no rosto a aparar lágrimas que não pediram licença para cair.

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