Um livro vive sete semanas. E as livrarias quantas mais?

Na cidade onde eu nasci e cresci, compravam-se livros no mesmo sítio onde se compravam cadernos, canetas, sapatilhas e bolas de futebol, fatos de ginástica e de treino. Era fácil encontrar fundos de catálogo; nunca procurei um clássico que não encontrasse enquanto fui, ali, aluna do liceu. Não entro há anos nessa papelaria,livraria, discoteca e muito mais. Um supermercado de cultura e desporto antes de se sonhar com Fnacs. Repito: não sei como estará. Presumo que sobreviva, mas não à conta dos livros. Lembro, já em Lisboa, de ir lá ao fim de semana na certeza de que, entre o pó de tantos livros, haveria o tal que estava esgotado nas livrarias de Lisboa. E não me enganava, e era mais barato e tudo. Estava amarelo nas pontas. Que importava? Dava-lhe um toque raro entre lombadas brancas que me aborreciam de tão novas nas minhas prateleiras então quase despidas.
Não voltei lá. Há muitos anos que não me vendem um livro. Nem voltei à Portugal, nem à Sá da Costa, nem a Ferin… Entristeço-me sempre que fecha uma livraria, mas eu, que compro livros, não me desvio da rota do costume, a que me leva à Fnac, às Bertrand… Sinto que também por aqui os livros demoram muito menos. Sete semanas de vida em livraria é a média para um livro novo. Vida curta, vidra tão breve. Não admira que as livrarias vão fechando. Eu fico triste, mas faço mea culpa e prometo que quando for a Torres hei-de ir à União.

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