Férias para um domingo

Procurei o que ler. Nada do que estava começado ou quase por acabar me apetecia. Apetece-me um livro como me apetece comida. Peguei num pequeno volume, páginas amarelas, uma edição da Arcádia de 1965. Abri-o e entrei no mar. É por aí que tudo começa: “Quem eram os meus companheiros daqueles tempos não me recordo. Viviam numa casa da aldeia, parece-me que em frente da nossa, uns rapazes farroupilhas – dois -, talvez irmãos. Um chamava-se Pale, de Pasquale, e pode ser que esteja a atribuir o seu nome a outro. Mas eram tantos os rapazes que conhecia por aqui e por ali.”

Ao primeiro parágrafo o livro deixou de cheirar a papel amarelo para me trazer iodo e feno, urze, chorões que pisava até os desfazer. Cada um sabe a que cheiram as suas férias, as minhas têm estes e como as de Cesare Pavese, eram em Agosto. Este é o livro, “Férias de Agosto“, uma tradução de Ana Hatherly, que vou tentar ler sem que as folhas se separem e muito grata a quem mo ofereceu.

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