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Vicente Jorge Silva

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“Gostava de cultivar a tal fantasia infantil, a de que vivia num mundo em que a ilha era o único universo real e tudo o que se passava fora dele era imaginário. E que os jornais que traziam as notícias do exterior eram como invenções dos Ficheiros Secretos, com situações produzidas por uma central de informação.”

Assim vão as conversas num livro que chega amanhã às livrarias. O jornalismo, o cinema, a política, os livros, a pintura, as viagens, os muitos interesses, a frontalidade, as paixões e desilusões de Vicente Jorge Silva, fundador do Publico, da Revista do Expresso, do Comércio do Funchal

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Só a imagem

As palavras são as de Herberto Helder, num foco tão próximo que lhes altera o sentido dado pelo poeta.

É outra leitura, outra história, uma coisa e as suas vastas possibilidades. Isso, que o fotógrafo Paulo Alexandrino, quis contar, ou melhor, dar a contar, numa exposição com 13 peças. Nove individuais e quatro díptícos para os quais não quer encontrar uma ordem, alinhar o caos. Nada disso. São olhares, os dele, sobre situações, sítios, coisas.  Elas estão ali e quem quiser que lhes encontre um sentido.

“Os rios correm para o mar”, como o pneu que rola na areia e dá nome à mostra. O que fazem então estas palavras aqui, incompletas, retiradas de contexto, ao lado de uma sala de autópsia? Incomodam? “Eu nunca durmo.” É a única frase completa que pode ler-se. E ao lado uma cama vazia. Noutro contexto, noutro ambiente, noutra foto, mas que o fotógrafo quis casar. Talvez então se possa dizer que este é o olhar do fotógrafo quando o fotógrafo experienta olhar para o lado e se fixa em algo que lhe interessa e não na encomenda.

Foi com o Paulo que eu aprendi a olhar a realidade através da lente. A realidade que eu queria reportar. Foi ele quem me perguntou pela primeira vez: “É isto?”, apontado para uma imagem. E eu sem saber muito bem se era aquilo. Ele sabe narrar, reportar, contar uma história com imagens. Estas não são imediatas, repito. “Os Rios Correm para o Mar” são esse olhar despretencioso. Um história que pode ser outra qualquer.

“A exposição convida o espectador a fazer a sua própria ficção sobre cada imagem e a construir uma narrativa pessoal sobre a unidade do conjunto”, escreve na apresentação.

Pode ser vista a partir de hoje e até dia 2 de Dezembro no Conselho Distrital de Lisboa da Ordem dos Advogados.