Category Archives: Livros com música

Livros com música IV

A Pista de Gelo
de Roberto Bolaño
Quetzal

“A música que se ouvia era o Dança do Gogo, de Manuel de Falla, e ao ritmo dessa música pude ver o busto da patinadora com os braços erguidos, mimando muito mal (embora algo houvesse por dentro daquela falta de jeito) o ato de dar uma oferenda a uma divindade minúscula e invisível.”

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Livros com música III

Um Dia

David Nicholls
Civilização

“E então é The Smiths, ‘There’s a Light That Never Goes Out’, e embora nunca tenha apreciado particularmente os Smiths, continua a bambolear-se de um lado para o outro, com a cabeça para baixo, outra vez com vinte anos, bêbado numa discoteca de estudantes. Esta a cantar bastante alto, é embaraçoso, mas ele não se importa. No pequeno quarto de dormir de um casa em banda, dançando com a filha ao som de música que sai de um comboio de brinquedo, tem de súbito uma intensa sensação de contentamento. Mais do que contentamento – júbilo” .

Livros com música II

Deixa o Grande Mundo Girar
Colum McCann
Civilização

“Joshua gostava dos Beatles, costumava ouvi-los no seu quarto, conseguia ouvir-se o ruído mesmo através dos grandes auscultadores de que ele gostava tanto. Let it Be. Uma canção idiota, de facto. Se deixares andar as coisas, elas voltam. Essa é a verdade. Se deixares andar as coisas és arrastado para o chão. Se deixares arrastaras coisas, elas trepam pelas tuas paredes.”

Livros com música I

Errata
George Steiner
Relógio d’Água

“A minha incapacidade de cantar ou tocar um instrumento é humilhante. Mas é frequente a música pôr-me ‘fora de mim’, ou mais exactamente, numa companhia muito melhor do que a minha. Materializa o oxinoro do amor, essa fusão de dois indivíduos na unicidade, sendo que cada um deles, mesmo no momento do uníssono espiritual e sexual, conserva e enriquece a sua identidade. Ouvir música com o ser amado é estar numa condição simultaneamente privada, quase autista, e todavia estranhamente envolvida com o outro (a leitura a dois em voz alta não atinge o mesmo nível de fusão).”

A reflexão daquele que é um dos mais brilhantes pensadores da actualidade, George Steiner no livro autobiográfico “Errata: revisões de uma vida), surge na sequência do relato de um facto:, terá sido a música a salvar o filósofo Wittgenstein do suicídio. E que música? “o lento movimento do terceiro quarteto de Brahms.