Tag Archives: mar

Férias para um domingo

Procurei o que ler. Nada do que estava começado ou quase por acabar me apetecia. Apetece-me um livro como me apetece comida. Peguei num pequeno volume, páginas amarelas, uma edição da Arcádia de 1965. Abri-o e entrei no mar. É por aí que tudo começa: “Quem eram os meus companheiros daqueles tempos não me recordo. Viviam numa casa da aldeia, parece-me que em frente da nossa, uns rapazes farroupilhas – dois -, talvez irmãos. Um chamava-se Pale, de Pasquale, e pode ser que esteja a atribuir o seu nome a outro. Mas eram tantos os rapazes que conhecia por aqui e por ali.”

Ao primeiro parágrafo o livro deixou de cheirar a papel amarelo para me trazer iodo e feno, urze, chorões que pisava até os desfazer. Cada um sabe a que cheiram as suas férias, as minhas têm estes e como as de Cesare Pavese, eram em Agosto. Este é o livro, “Férias de Agosto“, uma tradução de Ana Hatherly, que vou tentar ler sem que as folhas se separem e muito grata a quem mo ofereceu.

Advertisements

A lonjura

“Adeeeeus! Boa taaardiiii.”

Júlio António fala como quem canta, num canto arrastado que quer imitar a fala dos que vivem “do outro lado da água”, e João Duarte compara esse falar a um empurrão. “Parece que estão mandando a gente por ‘í’ abaixo com muito vagari, enrolando.” Júlio António e João Duarte falam sem pressas de outro falar com mais demoras. São dois alentejanos a imitar algarvios num teatro onde a boa vizinhança não permite mais imitações.

Quase a fazer 90 anos, Júlio António sempre trabalhou “olhando” o Algarve. Vive na margem direita da ribeira de Odeceixe, “mesmo na extrema” com o rio, e isso faz dele alentejano. Só isso, porque no resto garante que é igual aos que estão na aldeia que tem crescido tanto “que quase já chega ao mar”. Comem papas de milho como ele e gostam, como ele também gosta, de caldo de batatas com “toicinho” frito ou linguiça. Só a fala “diferencia” quem vive nas duas margens da ribeira de Odeceixe, fronteira natural entre Alentejo e Algarve, insiste Júlio António apoiado na enxada com que vai guiando a rega das cebolas ao sol do meio-dia.

Está em Baiona, de olhos postos em Odeceixe. O mesmo é dizer que está no Alentejo mas o Algarve não lhe sai da vista. “Quero lá ir este ano ver o mar. Agora têm um comboiozinho e não se paga.”

Entre a horta de Júlio António e o mar de Odeceixe há uma ponte pelo meio e é para ela que ele olha quando indica a “lonjura” que o separa dos do Algarve. Um passo. “É tudo muito perto, mas há este rio que vem de Monchique para baixo…” Já era homem quando a ponte veio unir as duas margens. “Foi em 1936. Antes, havia aí barcas e umas passadeiras para quem não pudesse pagar meio tostão”, conta, fechando um rego que há-de mudar o rumo da água com que vai amaciando o chão da cebola. “Vou tirá-la da terra amanhã, que hoje ainda não é maré.” E agora já não é de mar, mas de lua que ele fala. “A cebola apanha-se e dispõe-se na lua cheia, mas só ao sábado ou ao domingo”, que aos dias de semana “não calha bem”, explica sem levantar a cabeça do chão. Júlio António não precisou de andar na escola para aprender a ler a lua. “É ensinamento que não vem nos livros. Olho para ela e pronto”. E a lua encheu “antontem”. Foi à quinta, e a cebola será apanhada ao sábado porque quando pode Júlio respeita os domingos.

O discurso é de um alentejano mas podia ser de um algarvio, que a “a religião tanto é para uns como para outros” e dos dois lados da fronteira o sagrado mistura-se com o profano. Júlio volta a dizer que tem quase 90, que a sua aldeia é de gente velha e em Odeceixe há muitos novos, mas em Baiona ele não é o mais velho dos velhos. “Ainda há uma mulher mais velha. Chama-se Margarida.” Júlio fala sempre da idade e é mais uma vez dela que fala quando confessa, como se de um pecado: “Ontem tive saudades da morte.” Não há nada senão silêncio e novo levantar da enxada. É Júlio a deixar a água passar porque essa “saudade” também já passou.

Júlio é alentejano porque calhou nascer na margem direita da ribeira de Odeceixe, mas bem que podia falar como os algarvios se tivesse nascido do outro lado. É de lá que se identifica, irónico, João Duarte. “Sou alentejano, mas hoje sou algarvio.” Para mudar de identidade basta-lhe passar a ponte e regar o campo de milho com água que vem do Alentejo, da barragem de Santa Clara. “Aqui ou ali é a mesma coisa. Só a água é mai’mole.” A de lá ou a de cá? João Duarte hesita. “A de lá, a de lá”, insiste. E o alentejano esquece que está com os pés no Algarve.

O campo de milho onde trabalha João Duarte fica mesmo em frente da horta de Júlio António, mas na margem esquerda do rio, no caminho de Odeceixe para a Marmeleira, paisagem pontuada de alfarrobeiras e figueiras e sem niguém à vista. João Duarte não se queixa de solidão, mas adianta que dali até à povoação mais próxima ainda é uma “boa bucha”. Não se apercebeu da chegada de Manuel da Silva, algarvio nascido no Alentejo, na aldeia de Vale dos Alhos, e a morar em Odeceixe desde “a idade de sete anos”. Malha feijão numa eira improvisada e diz que é feijão algarvio mesmo que regado com água alentejana. Também ele imita o falar dos outros mas identifica aquelas terras como sendo “extremadura”, assim com “x”. Está na eira e a eira é um poço coberto. Está empoleirado e abre os braços. “Estamos ou não estamos na extrema?”

Procura-se

Procuro a casa.

Queria que estivesse agarrada à terra e que quando acordasse de manhã pudesse por os pés na rua sem sair dela.

De preferência com uma cozinha onde se pudessem juntar todos pela manhã, com o cheiro a café e a torradas.

Tinha de ter um fogão grande e um alpendre para as leituras e ver passar.

Pronto, concedo, uma varanda onde pudesse espreguiçar o sono da manhã e com vista para mais que não o vizinho da frente.

Não faz mal se se ouvir um sino. Pode ser na cidade, mas não faz mal se tiver mar à vista. Ou um bosque. Cheiro a jasmim nas noites de verão era bom.

E sítio para o cão correr e para a gata dormir sestas e um baloiço a dar par um poço rodeado de violetas. Ok, exagero talvez. Mas sabia bem ter uma janela grande para as tardes de chuva e uma lareira para aquecer e porque gosto do cheiro a madeira queimada.

Um sótão era bom. Mania de guardar tudo, que se há-de fazer. Já não peço pé direito alto para as estantes. Seria demasiada exigência e também requeria escadotes. Encolhem-se as estantes, curvam-se as costas se for preciso. É o menos.

O facto é que procuro a casa.

Nela tem de caber quem amo ou então não cabe ninguém. Quem souber desta casa que mande dizer.

De volta a Conrad

Volto a Joseph Conrad e a “Nostromo”, um autor que me faz sempre viajar para os sítios que quero, mesmo quando não são os melhores, e da forma que desejei mas nunca consegui, e a um livro que mais do que todos os outros de Conrad me liga ao mar, o meu elemento desejado. Gostava de ser do mar.

Não sou marinheira, e lembro-me de o meu pai me dizer, na choradeira de fim de férias, que se eu quisesse ficar os doze meses por ano de toda a minha vida ao pé do no mar ou casava com um pescador ou com um homem rico. Passaram-se muitos anos desde esse conselho; não vivo os 12 meses do meu ano junto ao mar, e o homem que melhor consegue essa aproximação continua a ser Joseph Conrad, o escritor que nasceu Józef Teodor Konrad Korzenieowski, em 1857, na Polónia, e que em 1904 publicou este “Nostromo”.

Só o conheci anos depois da famosa tirada paterna que me deixou a pensar, talvez pela primeira vez, no lado interesseiro de concretizar o sonho. Não fosse isso e teria atirado com “Nostromo” para os braços do meu pai.

Conheci-o pouco depois da faculdade, num Verão como tantos outros, cheio de ruído onde encontrava o meu silêncio nas páginas que guardava cheias de grãos de areia. No fim, entretinha-me a abrir página a página a correr com eles, ao sopro ou com as pontas dos dedos, uma sensação semelhante à de cortar as páginas coladas dos livros com as velhas facas. Manias.

Hoje voltei a Nostromo, uma edição nova, limpa de areia e não quis deixar de assinalar este dia.  Agora vou-me a ele. Sem a surpresa da primeira vez, mas com a mesma emoção de quem se senta numa esplanada a sentir a maresia, haja sol, ou uma manta nos joelhos.

“No tempo do domínio espanhol, e ainda por muitos anos, a cidade de Sulaco, cuja beleza luxuriante dos laranjais dá testemunho da sua antiguidade, não passava de uma cidade portuária…” e lá vou eu, por Costaguana, um lugar que só existiu na imaginação de Conrad, na costa ocidental da América Latina, entre a prata da mina de San Tomé e os seus efeitos nas vidas dos que lá moram. Para já, os outros livros que esperem. Apeteceu-me mais deste.

Agosto está aí

Em agosto comecei a andar, em agosto vi pela primeira vez o mar e a nao houve grão de areia que não trincasse; em agosto soube o que era o som do amolador e as rodas das carroças de hortaliças a chegar à praca; em agosto comprei o meu primeiro livro com o meu primeiro dinheiro e não dei o meu primeiro beijo porque em agosto eu não tinha namorado; em agosto fiquei na rua, no degrau à noite, porque o meu pai confundiu a campainha com o despertador; em agosto comi caracois e carangueijos e tremoços com pevides; foi em agosto que andei numa bicicleta com duas rodinhas a ajudar as outras e nao houve agosto que me fizesse andar de bicicleta de outra maneira; em agosto a minha mãe usava óculos de sol do tamanho da cara dela e o meu pai ria do ridículo que achava aquilo que eu um dia queria imitar; em agosto eu andei com uns óculos do tamanho da minha cara e o meu pai nao se riu porque acho que estava distraído; ainda em agosto vi que a melhor vista do mundo pertencia a uma vaca num prado em s. Miguel, a vaca! Em agosto aprendi a fazer malas e nunca soube como as desfazer; em agosto vesti me de noiva e parti o salto do sapato tornado me uma noiva coxa que foi brincar ao carnaval de verão; em agosto fiz piqueniques com formigas a picar a língua, em agosto vi o que nunca pude ver antes, falei com quem nunca imaginei falar, chorei e ri, andei pelo país feita repórter num carro azul que perdeu a cor e soube quer podia ser marinheiro porque não enjooei num barco onde chegaram percebes e a notícia de um nascimento. Foi no mar. Em agosto amei, em agosto tive raiva e esqueci tudo. Em Agosto a minha avó caiu para nunca mais se levantar; em agosto cantei cantigas de embalar onde havia uma herói e uma menina que sabia falar inglês. Em agosto corri para ver o que nunca ninha visto; em agosto uma amiga muito amiga ia ter um bebé e teve, e eu, graças a ela, aprendi um dos  incondicionais do verbo amar; em agosto surgiu a Maria e agosto ha-de ser sempre dela. É quase quase agosto, Maria

De pantufas, na rua Basílio Teles

Vinha de casaco de tricô beige. Um casaco sem tempo, de lã grossa com borbotos. Não lhe chegava aos joelhos. Abotoava à frente, com botões de madeira, e tinha dois bolsos, um de cada lado, naquela malha que imita ondas como as do mar que gostava que o levassem a ver. Era nesses bolsos que às vezes punha as mãos enquanto andava com passos miúdos. Sem pressa e silencioso. “Tenho um pé que já deu a volta ao mundo”, escreveu ele em “Autografia”, poema que haveria de ser nome de filme biográfico. E deu a volta ao mundo porque o mundo era ele, diria também. E ninguém diria ao vê-lo assim, num tempo em que já não escrevia, com as pantufas que não chegava a descalçar para ir almoçar ali, naquele restaurante onde agora entrava, como entrou em tantos outros dias antes. Gestos repetidos de um quotidiano em que sair de casa de roupão era o pouco que lhe restava para provocar, ele, a quem Luís Pacheco – outro surrealista — chamou um dos “surreal lisboeto”, “malta de cafés e outros estabelecimentos, com vidas mais ou menos precárias, histórias psiquiátricas e uma predilecção por álcoois”, como recordava Pedro Mexia, num suplemento “DNA”, de Abril de 2004. Para ele, agora, era só descer as escadas, virar à esquerda no passeio estreito de uma rua sem história de Lisboa e entrar na porta ao lado.

Já não escrevia versos em 2002, mas pintava e “a pintura foi outra maneira de andar”, disse ele um dia, nesse mesmo ano, quando lhe atribuíram o Grande Prémio EDP, distinção para a sua obra plástica. 
Andava e às vezes não ia com o casaco beige. Levava antes um roupão cinzento, de quadrados. Era quando estava mais frio. Mas mantinha as mãos nos bolsos que só tirava para ajeitar a boquilha onde o cigarro queimava. Entrava e havia cabeças que se viravam para o ver entrar, sem a companhia “de gente altamente suspeita”, como acontecia quando o viam na noite, quando frequentava a noite. Isso anotou ele noutro poema. Agora entrava, esperava que lhe indicassem uma mesa e sentava-se. Levava a irmã, Henriette, com quem vivia, a mesma que em “Autografia” — o documentário de Miguel Gonçalves Mendes estreado em 2004 — se definiu como uma “antiartista” e irmã “de um santo irmão”.

Era Henriette, a mais velha das três irmãs, ou então um amigo, quase sempre o mesmo, alguém com um rosto em que ninguém se fixava porque os olhares só perseguiam aquela cabeça branca com queixo adunco, riso escarninho desenhado na boca e contagiando os olhos; riso sarcástico de um sarcasmo que se recusava a envelhecer, apesar do corpo cada vez mais curvado, frágil. A maior parte das vezes calado outras soltando um cumprimento efusivo, dizendo palavras que sublinhava com gestos exagerados. Cesariny no seu teatro, “performer nato” segundo quem o conheceu de perto a dizer palavras. “Palavras que nos sobem ilegíveis à boca / palavras diamantes palavras nunca escritas / palavras impossíveis de escrever / por não termos connosco cordas de violinos / nem todo o sangue do mundo nem todo o amplexo do ar…” (in “You are Welcome to Elsinore”).

E as palavras, o “dever de falar”, dependiam da assistência. Porque vê-lo entrar era uma espécie de happening, um acontecimento, uma liturgia. Mário Cesariny de Vasconcelos, o poeta, o pintor, numa rua sem história, num restaurante fora de roteiros, a comer, de pantufas e roupão, mesmo por baixo da casa que lhe deram para viver, em Lisboa, mas longe da Lisboa que sempre transportou para a sua poesia. A dos bares do Cais do Sodré, das tertúlias, dos cafés Gelo e do Royal num tempo salazarista que o perseguiu pela sua homossexualidade. Ele estava ali, na Rua Basílio Teles, rua sem história, mas onde ele encontrou estórias para um poema. A rua da casa, a rua do restaurante para onde ia de pantufas e roupão. E para que menu? A ver pelo cardápio, dos que se guardam em vidro com fechadura, do lado de fora da porta, decerto diferente daquele que Cesariny descreveu em “Homenagem a Cesário Verde” e publicou no livro Pena Capital (Assírio & Alvim): “Depois do bolo-rei comeram-se sardinhas / com as sardinhas um pouco de goiabada / e depois do pudim, para um último cigarro / um feijão branco em sangue e rolas cozidas.” Ali, nada disso. No máximo uma lampreia vinda do rio Minho e feita por encomenda, uns joaquinzinhos com arroz de tomate e sardinhas, mas sem goiabada…

O ensaio

Não estava ali.
O mar não se ouvia.
O dia era um daqueles em que a chuva e as nuvens abafam qualquer som, apenas o piar das gaivotas à cata de caraguejo na maré quase vazia.
Mais nada. Nem os cães nem as crianças, nem a música que sabia sair de um carro parado a pouca distância.
A paisagem parecia dentro de um capacete naquele Atlântico ao contrário, do outro lado daquele onde me habituei a ir buscar o cheiro e assistir ao fim dourado dos dias de verão e início de outono, o mar da minha praia virada a oeste.
Aqui, eu, como a gaivota a ensaiar o voo de aproximação.
Pensei em Joseph Conrad, o lobo do mar que não perde o Norte no mar.
Eu estava a Leste.
Virada para a praia que não via, inspirando o ar a querer resíduos de iodo longínquo. Achei. Vestígios de um cheiro familiar que me devolveu a tranquilidade só possível em casa. Parece que estava a começar a ganhar outra, um lugar também meu. Por amor, por adopção, porque sim, porque me adapto e sou ali aquele bocadinho feliz que os inconformados às vezes conseguem ser. “Lucky me”, pensei e olhei para os céus, cinza escuros, a fazer figas não vá algum mau olhado tirar aquele pedacinho de alegria, passar-lhe uma rasteira e atirá-lo à areia.
“Não sabes ser feliz”, dizem alguns que me conhecem ou pensam conhecer. E não é que às vezes dou por mim: “Será?”
E lá está a gaivota a ensaiar o voo como eu a ensaiar a vida. Nova. Por aqui. Por amor, por um sonho, pela realidade.
O mar tem disto, mesmo que ao contrário: os pensamentos andam vagos, parecem contagiados pelo ritmo das ondas, as tais vagas que ali não têm tamanho. Curtas, rasteiras.
Não o mar imenso e a espuma. Boris Vian andou por outro mar. A espuma dos dias não vem daquelas vagas.
E lá estou eu na espuma de outros dias. Outros meus dias por outros mares, enquanto ali não há espuma. Pouca espuma para poucos dias.
Nem som. Só um leve rufar que embala. Embala mesmo. Era só deixar ir… Mas falta essa disponibilidade. Mental. Física. Algo sempre a resistir.
Pena não ser como a gaivota que não se assusta com o meu aproximar tão seduzida que anda com aquela água que lhe dá tudo. Ela embala-se. Não resiste. Vai.
E eu presa a ela, a querer não resistir. Como é? E ela olha e eu disparo o flash e ela não desvia o olhar.
Penso não existir. Eu. Não há som, não há sinais da minha presença, nem sombra de mim na areia tão apagado está o sol, filtrado.
Quase não há som, quase não há cheiro, nem sombra.
Duvido de mim e olho e vejo um vulto ao longe que me devolve a identidade.
Ufa! E de novo o mar.
A gaivota avança para ele. Abre as asas. ganha altitude e mergulha, certeira.
Eu disparo.
Apanhei-a numa objectiva que tenho a ilusão de a tornar eterna.